36 Flares Twitter 0 Facebook 36 Pin It Share 0 Email -- 36 Flares ×

Sim, é muito mais caro que as outras fazendas. Sim, é super disputado. E definitivamente sim, vale cada cent pago!

10403138_776275459126754_1223338910411098568_n

Eu queria muito ir conhecer uma fazenda de elefantes, mas ao pesquisar o assunto fiquei horrorizada com o número de fazendas de exploração disponíveis, com as “atuações” dos elefantes e ao imaginar o treinamento duro para fazer um elefante pintar quadros, jogar bola e outras brincadeirinhas. Quando passei por Ayutthaya e vi os elefantes na rua, fiquei mais chateada ainda.

Como não queríamos amarrar o roteiro, não fizemos reserva antes e ao checar, só por curiosidade, a disponibilidade do Patara duas semanas antes da viagem, recebi o retorno de que eles estavam lotados dezembro inteiro. Foi um frustração imensa. Pesquisei bastante e vi muitas, mas muitas fotos de outros lugares, mas sempre tinha uma corrente, um elefante preso, um jogo de futebol, algo que me fazia desistir das outras fazendas.

10906531_776275475793419_8506824968202750754_n

Quase cancelei a ida a Chiang Mai em função disso, pois era a atração mais esperada na nossa ida à cidade. Porém como queríamos muito conhecer o templo branco de Chiang Rai, acabamos deixando Chiang Mai no roteiro após ler que era uma cidade super gracinha.

Sorte nossa que não desistimos. Ao escolher uma guesthouse em Chiang Mai perguntamos se eles tinham passeios para ver elefantes e pedimos para verificar novamente o Patara. E para nossa felicidade eles tinham dois lugares para o dia seguinte. A senhora da agência nos falou que era muito caro, que não valia a pena, tentou de todas maneiras nos fazer desistir e escolher outro passeio com os elefantes. Mas com toda a vontade que eu tinha de conhecer o Patara, tomamos a decisão certa e reservamos para o dia seguinte.

10891961_776275512460082_3210935888821864065_n

Como li em outro relato: se tu vais visitar o Patara pare de ler aqui, para não perder a surpresa. Se está decidindo e ainda não está convencido, continue pois vai se convencer rapidinho.

Nos buscaram no hotel no horário combinado e a viagem demorou quase uma hora. Ao chegar já havia uma espécie de pátio cheio de elefantes. Gostei de cara, nenhuma corrente, poucas pessoas circulando. Comecei a me aproximar devagar até ouvir o incentivo do pessoal da fazenda “Vai, pode ir. Eles precisam conhecer vocês.”. Foi como soltar uma corrente do meu pé e quase corri em direção a eles.

Primeira constatação: eles são gigantes. Muito maiores do que eu esperava. Eu já havia alimentado elefantes na Argentina, e não lembrava de serem tão grandes. Até eu que não costumo ser medrosa dei uns passos para trás quando eles começaram a caminhar em minha direção para pegar comida.

Nos entregaram cestas com alimento, uma espécia de cana de açúcar cortada em pedaços. Eles amam aquilo e se atiram para comer. Aliás, eles amam comida e estão sempre famintos.

Depois disso fomos para debaixo de uma cabana para passar protetor solar enquanto assistimos uma aula sobre os elefantes.

A verificação da saúde dos elefantes (para leigos, como nós) pode se basear em quatro itens distintos:

10906306_776275529126747_4207839202598597530_n

1: Elefantes balançam a cauda e as orelhas quando estão felizes. Se ele estiver quietinho, não é bom sinal.

2: Elefantes saudáveis dormem deitados. E isso pode ser constatado pelo desgaste da pele em um lado do elefante, no lado sobre o qual ele se deita.

3: Elefantes tem fome sempre. Não importa se ele acabou de comer, elefantes nunca recusam comida, se ele recusar, pode ser sinal de stress.

4: Hidratação: a verificação disso se dá nas fezes, que enxarcam o chão, e também na pele em torno das unhas, que deve estar sempre úmida.

Após essa aulinha voltamos a interagir com os elefantes. Os alimentamos, damos banho de mangueira, limpamos suas costas antes de subir. Para limpar suas costas utilizamos uma espécie de espanador feito com folhas de árvore. Deu certo até o momento que outro dos elefantes veio comer o espanador, e então confirmamos, eles tem fome sempre.

1506586_776275419126758_8094383486947756263_n

Cada elefante tem seu modo de deixar que montem nele. O elefante do Leandro era o mais legal, o Leandro pisou em sua tromba e então ele levantou a cabeça subindo o Leandro para suas costas. Depois era “só” se virar. A minha elefante me ofereceu a pata, eu pisei e ela me levantou, muito legal também.

10468021_776276822459951_8133089743837568044_o

Depois disso saímos para uma volta na floresta com os elefantes. Foi uma gritaria só. Nós dávamos o comando e o elefante obedecia. Quando algo estava saindo errado (normalmente porque não sabíamos pronunciar direito os comandos), algum mahout vinha nos ajudar. O terreno é muito disforme e no começo eu estava morrendo de medo que eu e ela despencássemos abismo abaixo. Mas eles são super habilidosos para caminhar, mesmo com o tamanho de um gigante. As vezes eles paravam para comer e não havia quem os fizesse sair, mas depois de um tempo eles seguiam – geralmente quando o mahout que acompanhava dava o comando certo.

10917948_776276699126630_5911039414774173010_o

O passeio foi muito legal, e paramos em um local da floresta para almoçar. O almoço foi outra atração à parte, uma mesa linda posta sobre folhas de bananeiras, com comida deliciosa, frutinhas frescas e vários doces típicos tailandeses.

DSC01483

Esse é o único momento em que vi alguns dos elefantes presos, e logo descobri porque. Lembre-se, elefantes saudáveis estão sempre com fome. Assim que soltaram esses que estavam presos eles vieram direto para nossa mesa roubar a comida. Os mahouts já tinham recolhido tudo que eles não podiam comer, e eles acabaram com o resto do almoço, incluindo as “toalhas” de folhas de bananeira. Eles tentaram até sentar conosco, e depois ainda quiseram comer a mesa (que era de bambu).

DCIM103GOPRO
DCIM103GOPRO

Ficamos um tempo por ali enquanto os elefantes comiam mais um pouco – pela décima vez no dia- e chegou a hora de seguir.

Dessa vez seguimos para um local com cascatas e um laguinho. Assim como são mortos de fome o tempo inteiro, elefantes simplesmente amam água. Assim que chegamos eles foram direto entrar na água. Os bebês principalmente, mergulhavam e ficavam com o corpo quase inteiro submerso por um tempão.

DCIM103GOPRO

Eu não conseguia nem achar meu elefante…

DCIM103GOPRO

…imagina dar banho nele…

Ali chegou a parte de dar banho nos elefantes, jogar água, esfregá-los. Essa é uma parte mais para entretenimento nosso eu acho, pois os elefantes já tomam banho e se divertem sozinhos, não precisam que alguém lhes esfregue as costas, mas tudo bem.

DSC01496

AMAM água!

Ao sair desse local havia outro grupo de elefantes chegando, com mais pessoas. Foi o único momento em que vimos os outros grupos que visitam a fazenda ao mesmo tempo.

Uma das coisas que valem muito a pena no Patara são as fotos profissionais já inclusas no preço. Apesar de ser dificil resistir a fotografar, pois eles são lindos de dar dó, no final do passeio eles te entregam dois CD’s com fotos incríveis, que foram feitas durante o passeio. Quase todas fotos aqui são deles, exceto as dos elefantes bebês, quando a câmera já havia sido enviada para gravarem os cd’s.

E essa parte dos elefantes bebês foi uma das mais legais. Fomos levados ao local onde haviam recentemente nascido três elefantinhos, de um, dois e três meses.

O bebê que tinha um mês era o mais legal. Dócil, brincalhão, ficava colocando tua mão na boca e tentando mastigar, uma coisa linda. Mas o mais engraçado foi quando fomos acariciar a mãe e o bebê ficou com ciúmes e virou um búfalo. Ele baixava a cabeça e dava uma corridinha e um encontrão na gente, chegou a quase me derrubar. A gente não tem ideia da força que um bichinho desses pode ter. Depois disso ele não foi mais nosso amigo e não quis mais conversa.

10924696_780724432015190_4738449075666912848_n

Elefantinho de um mês

Se eu achava os elefantes grandes lindos, os pequenos eu queria colocar na mala e trazer para casa!!

O elefantinho de dois meses era liiindo também, a mesma mania de querer mastigar, e ainda mais amigável que o outro.

10492120_780743178679982_7621460126921109827_n

A mãe dele era uma deusa, dava beijo e abraçava, mas me disseram que foi um treinamento anterior ao resgate.

1618679_780723908681909_2218959532034112067_n

Beijo de elefante

E o abraço, nossa, que coisa deliciosa!

10426696_781182778636022_450190637147347728_n

E o elefante de três meses era bem maior e já corria. Esse adorava carinho na gengiva, os mahouts nos disseram que são como bebês com os dentinhos nascendo. Além disso era muito curioso, ficava mexendo na gente, nos puxando, tentando comer a câmera e bagunçar cabelos.

10929901_780723302015303_2098729457010082727_n

No final fomos levados para um local com mais estrutura, com banheiro, chuveiro, bebidas para venda e souvenires. Lá eles nos entregam os cd’s com as fotos e logo depois fomos embora.

Foi um dia simplesmente inesquecível. Não conseigo expressar a felicidade que senti durante todo o passeio. Os elefantes são tratados muito bem e visivelmente tem um carinho muito grande por seus treinadoras.

O Patara resgata animais de condições ruins na Tailândia inteira. Eles inclusive já conseguiram readaptar alguns elefantes e devolvê-los à vida selvagem. Claro que isso não é possível com todos, pois alguns sofreram tanto e tem sinais de stress tão fortes que nem são colocados em contato com o visitantes e provavelmente nunca conseguiriam viver por conta própria.

O trabalho é lindo mesmo, não me arrependi nadinha, tampouco me senti colaborando com a exploração de animais. Pelo contrário, entendi e acredito que manter mais de 70 elefantes, com um número bem grande de funcionários deve custar caro e achei justo o preço que paguei pela experiência que tive. É como uma contribuição para uma organização de resgate de animais.

Os momentos vividos no Patara vão ficar para sempre na nossa lembrança.

10419967_781182875302679_5785307681560450137_n

Espero que aproveitem tanto quanto nós!

 

  1. LEILA says:

    Que casal simpático vocês dois! Muito obrigada pela dicas! Estou planejando minha viagem com duas amigas para Myamar aí fui adentrando nos links e vi esta outra dica sobre os elefantes! Sim, muitos são extremamente maltratados,tanto que quando fui a Agra na Índia decidi não passear neles. contudo, para minha surpresa como lá eles são sagrados graças a Deus estavam muito bem tratados…mas minha primeira experiência em Bangkok me deixou sem dormir algumas noites.Como o Homem pode ser tão mal? bem vou voltar às dicas de vcs sobre YANGON E BAGAN. Feliz 2018!!!! Muito obrigada, LEILA

    • Camila Alves says:

      Oi Leila!!
      Obrigada, gentileza sua!

      Sim, em muitos lugares eles são resgatados de situações de exploração, para continuar sendo explorados. Também pesquisei muito antes de escolher o Patara.

      Sobre Myanmar, apenas vá. Amei e pretendo voltar, pois o país tem muitos lugares legais para conhecer!!

      Feliz 2018, grande abraço!!

Deixe uma resposta

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *

You may use these HTML tags and attributes:

<a href="" title=""> <abbr title=""> <acronym title=""> <b> <blockquote cite=""> <cite> <code> <del datetime=""> <em> <i> <q cite=""> <s> <strike> <strong>