6 Flares Twitter 0 Facebook 6 Pin It Share 0 Email -- 6 Flares ×

Um dos dias mais esperados da viagem. E dia de surpresas pois não sabíamos se conseguiríamos chegar à laguna ou não, devido à neve. Não encontrei nada de informações na internet sobre essa trilha de El Chalten em setembro, o La Cachaña dizia que o trecho Poicenot-Laguna de Los Três não estava recomendável. Além disso uma amiga tinha acabado de retornar e não conseguiu finalizar pois havia muito gelo e neve. Mas resolvemos tentar de qualquer forma, nem que fosse para ir até uma parte. Como introdução, El Chalten á considerada a capital nacional do trekking na argentina e possui muitas e muitas trilhas para encantar os aficionados pela combinação caminhadas+natureza. O Fitz Roy é, sem dúvida, o mais famoso pico, com seus 3375 metros de altitude. DSC00047 O maciço de granito seduz escaladores do mundo inteiro e já foi local da morte de diversos alpinistas, incluindo  brasileiro Bernardo Collares, alpinista experiente que morreu após uma dura queda, em 2011. Fecha aspas, seguimos o roteiro. Saímos de El Calafate já havia passado das 06:30. A viagem durou cerca de 2 horas e quando estávamos chegando em El Chaltén fomos abençoados com um nascer do sol com aquela luz amarela iluminando lentamente o Fitz Roy, sem quase nenhuma nuvenzinha para atrapalhar. DSC00005 Foi difícil aquela parte. A cada minuto queríamos parar para olhar, admirar, fotografar aquela paisagem surreal que se abria na nossa frente. DSC00025   Abaixo das montanhas havia uma cortina de nuvens escuras, que dava a impressão que estávamos dirigindo rumo à uma tempestade de areia. DSC00017 Mas o Fitz Roy estava lá, lindo, majestoso e completamente visível. DCIM102GOPRO   Conforme nos aproximávamos da cidade o clima apertava e a temperatura caía. Paramos no centro de informações que estava fechado ainda. Gelo cobria as mesas e bancos, e ali nos aprontamos e agasalhamos para nossa jornada. Um guardinha nos viu e abriu o centro de visitantes apenas para nos atender, um querido. A temperatura havia caído bastante e as mesas e bancos estavam cobertos de gelo. Propositalmente talhados na madeira, desenhos apareciam contornados pelo gelo. IMG_9068 Fomos até a Hosteria El Pillar, onde deixamos o carro. Ali a temperatura havia atingido a marca minima da viagem: cinco graus negativos. Entramos na trilha propriamente dita às 10 horas. O caminho é bonito e tranquilo. Depois que passamos a entrada do Parque Nacional de Los glaciares a temperatura seguia baixa e começamos a caminhar sobre terra congelada e ver lindos cristais de gelo no chão, com formatos inesperados. O tempo passou voando e ao chegar no Mirador Piedras Blancas encontramos um casal que havia iniciado às 9 horas e estava no mesmo ponto que nós, estávamos com uma hora de vantagem, ritmo excelente. IMG_9122 DSC00101 Após atravessar o rio Blanco havia uma pequena cabana com mesas, para descanso. Paramos e fizemos nosso almoço improvisado. Dali a subida se tornaria difícil, e nem sabíamos se seria possível chegar ao topo. DSC00126 Iniciamos a subida e logo começamos com uma vantagem. Alguém já havia passado por ali e feito os buracos na neve onde podíamos pisar supostamente sem risco de afundar. Porém já passava do meio dia, o gelo estava derretendo e muitas vezes ao pisar, afundávamos mais, com neve passando dos nossos joelhos. DSC00131 Os bastões que indicam a trilha estavam quase soterrados e algumas vezes nos desviamos do caminho sem querer. A subida foi puxada, difícil, paramos muitas vezes. A respiração parecia cortar nossos pulmões e diversas vezes achamos que não aguentaríamos. A neve dificultava muito a subida, eram muitas quase quedas, as pedras soltas eram traiçoeiras. Para não desistir, começamos a traçar pequenos objetivos: “vamos só até aquela pedra quadrada e paramos”, agora vamos só mais um pouquinho até ali, são quinze passos, e descansamos”, e assim fomos, parando muitas vezes. DCIM102GOPRO Quando estávamos chegando no topo, nos demos as mãos e nos encaminhamos vitoriosos à vista merecida da montanha. Mas rá, pegadinha, ainda tinha outro mega morro para subir. DCIM102GOPRO Quase todos encoberto por neve, apenas com uma trilha de pedras, parecia que seria mais fácil. Que nada, pedras completamente soltas, nos faziam derrapar o tempo inteiro. O video que fiz nessa parte ficou um sarro, cheio de tombos, minhas mãos tremendo e eu dizendo que não conseguia segurar a câmera pra cima e mirando o chão. DCIM102GOPRO Dali chegando no topo não conseguimos nem dar as mãos, toda nossa energia estava naqueles últimos passos e TCHARAAAAAM, a vista, aquela vista. Eram exatamente 13 horas, demoramos quatros horas para chegar até lá em cima, mesmo com o gelo. DSC00173 É a paisagem mais bonita que já vi na vida. O lago estava congelado, tudo branco de neve, aquele céu completamente azul, sem uma nuvem, aquele sol brilhando esplendorosamente. Nos divertimos muito correndo pelo lago congelado. Sempre tive muito medo, nunca me imaginei caminhando sobre um lago congelado, mas era tão congelado que se eu não soubesse que tinha um lago lá, nem conseguiria localizá-lo. DCIM102GOPRO Nossa, não tem como decifrar o que foi aquilo. DCIM102GOPRO Tenho certeza que no verão a subida deve ser bem menos sofrida, mas a paisagem de inverno até agora faz meus olhos brilharem quando lembro. DSC00213 Ficamos quase uma hora lá em cima. Teve guerra de bolas de neve, rolar no chão, subir nas pedras (de deveriam estar quase submersas no lago). DSC00329 A descida que achamos que seria mais tranquila, foi mega difícil. Como já eram mais de 14 horas, a temperatura estava maior, a neve estava derretendo e muitas vezes afundavamos até metade da coxa. Daí pra não cair nos apoiávamos com o braço e ele afundava até o ombro. Daí o um tinha que ir guinchar o outro, que estava preso na neve… Até paramos no meio do caminho para um lanche. Toddynho gelado na neve e sanduíches, e naquele momento isso era a melhor comida do mundo! DSC00337 No retorno fizemos o outro caminho pois queríamos ver a Laguna Capri que ficava na metade de um caminho diferente de volta para a cidade. Achei o caminho de volta muito barbadinha. Talvez porque a ida tivesse sido sofrida, mas após descer a montanha o tempo passou voando. DSC00361 Ao contrário do que eu havia visto em algumas fotos, a Laguna Capri estava com as suas águas paradinhas, linda! O lugar é ótimo para descansar, fazer um lanchinho, mas como já tínhamos feito nosso lanche lá em cima (afinal, porque comer em um lugar propício para isso se tu podes fazê-lo sentado no gelo aos pés do Fitz Roy?), só passamos para fotos e seguimos nosso caminho. DSC00374 Acho que uma das coisa que ajudou o retorno a ser tranquilo foi justamente nossa falta de pressa e as paisagens estonteantes. Eu sou espoleta e mesmo depois de nove horas de caminhada, não podia ver uma pedra mais alta que queria subir. DSC00409 Chegamos ao fim da trilha às 18 horas. Nosso tempo foi de exatamente 9 horas, das quais uma hora foi passada lá em cima, então 4 horas cada trecho. DSC00413 A dificuldade da trilha é alta, e percorrê-la até o fim em época de neve não é recomendado. Nós estávamos bem preparados e corremos o risco, mas isso vai de cada um, e é importante conhecer os limites do próprio corpo. Amei a paisagem de inverno e quando voltarmos no verão vamos fazer a trilha novamente para ver tudo verdinho! Boa caminhada!!

  1. Alessandra says:

    Olá viajante! Estou acompanhando suas dicas sobre El Chaltén, estou amando suas resenhas, estão muito sendo úteis. Vou para El Calafate/El Chatén no final de setembro/17 e realmente há poucas informações a respeito. Também pretendo alugar um carro. Você sabe me dizer a média de valor que no total gastou com combustível viagem ida/volta + preço do aluguel do carro?

    • Camila Alves says:

      Olá Alessandra!!
      Que bom que está ajudando, como eu tive dificuldade de encontrar informações, resolvi detalhar tudo.
      O aluguel do carro por 4 dias deu em torno de 800 reais.
      Mas de gasolina não me recordo, porque duas vezes ficamos quase sem e compramos de hoteéis em Torres del Paine e foi caríssimo.
      Mas entre El Calafate e Chaltén tem combustível e tu não corre esse risco.
      Mas não me recordo mais do valor da gasolina não…

      Se tiveres mais alguma dúvida, só avisar.
      😉

  2. Cecilia paes says:

    Qual período que você foi pra el chalten? Nós vamos início de setembro. Acha que conseguiremos fazer as trilhas?

    • Camila Alves says:

      Oi Cecília, tudo bem?
      Fomos no início de setembro, com muita neve ainda.
      O único trecho que foi rui de fazer foi o trecho final da Laguna de Los Tres, a subida. Em alguns pontos afundávamos na neve até a coxa e eu não recomendaria a subida sem ter experiência em trilha e algum preparo. Foi realmente muito dificil e um pouco arriscado, pois se alguém se machuca ficaria muito difícil.
      Mas realmente não tem como saber pois as condições mudam de ano para ano. Ao chegar fomos ao centro de informações e eles que dizem sequais trecho é possível fazer.
      Eu fui na cara e na coragem, deu certo!
      Boa sorte!!

Deixe uma resposta

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *

You may use these HTML tags and attributes:

<a href="" title=""> <abbr title=""> <acronym title=""> <b> <blockquote cite=""> <cite> <code> <del datetime=""> <em> <i> <q cite=""> <s> <strike> <strong>