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Quando comecei a pensar nesta rota, pouquíssima informação encontrei. Menos ainda se tratando de setembro, época em que ainda era possível encontrar neve e gelo nas estradas. O Ricardo, do Rango e Trago havia me providenciado informações importantes, mas mesmo assim meu roteiro era super apertado e eu estava bastante apreensiva.

De qualquer maneira, resolvemos ir, teríamos correntes para as rodas do carro, e o Caumo – amigo que nos acompanhava- havia acabado de voltar de uma viagem pelo Chile em pleno invernão, saberia se virar bem na direção.

Alugamos o carro na Nunatak Rent a car e combinamos que nos buscassem no aeroporto, pois o valor (150 pesos) era menor que preço do taxi (no mínimo 200 pesos). Eles estavam nos aguardando e nos levaram ao escritório para os trâmites burocráticos. Um cartão de crédito para garantia, pagamento em dinheiro por um valor bem menor que nas famosas Hertz e Avis, um carro bem rodado, mas que se comportou muito bem durante a viagem.

 

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Demos uma volta por El Calafate, olhamos umas lojinhas e saímos em direção à Torres del Paine. Porém esquecemos o mais importante: passar em um supermercado e comprar mantimentos. Não esqueça isso de maneira nenhuma, só há um local onde comprar comida logo depois de passar pela alfândega do Chile (em Paso Rio Don Guillermo) e estava fechado quando passamos.

Saímos de El Calafate às 15:30. Pegamos a ruta 40 e seguimos por ela até o Paso Rio Don Guillermo. Não fomos até Esperanza usando as estradas 5 e 7, como todos argentinos nos indicaram, fizemos o caminho mais curto. A parte de rípio da ruta 40 não é horrorosa como dizem, não tem nada demais. Apenas não recomendo com chuva, pois como é uma rota usada por caminhões, em algumas partes estava bem enlameada e acredito que com chuva ficaria difícil passar com carro baixo e carregado, como era nosso caso. O trecho desenhado em vermelho foi onde cruzamos a fronteira. Apesar do google maps indicar ir até Puerto Natales, esse trecho é muito mais curto.

Reforço, todos argentinos falam desse trecho como se fosse o inferno na terra, e não entendemos até agora o motivo de tanto auê, a estrada estava totalmente transitável. Alguns locais, como falei, estavam enlameados e com chuva deviam ficar mais difíceis, mas a estrada era muito melhor que a maioria das estradas de chão batido que conheço.

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Estávamos contando com o postinho em Tapi Aike para encher o tanque, que é esse aqui da foto de baixo, mas ele estava fechado, e seguimos para TDP assim mesmo.

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O trecho até a fronteira com o Chile deu pouco mais de 200 quilômetros e a viagem durou quase 3 horas.

Dali decidimos não descer até Puerto Natales para atravessar a fronteira. Isso nos somaria 130 quilômetros e praticamente duas horas de viagem desnecessárias, apenas para não sair do asfalto. Atravessar a fronteira em Paso Rio Don Guillermo, apesar de ser estrada de chão, foi super tranquilo. O trecho é curto e é a mesma estrada de rípio da ruta 40. Para fazer isso entre à direita nesse local, sentido Cancha Carrera.

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Essa placa aí de baixo fica bem na entrada desse atalho, para Paso Rio Don Guillermo.

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O controle fronteiriço na Argentina é precário. Os meninos não tinham nem luz (acho que havia acontecido algum problema), estávamos com as luzes dos celulares lá dentro. No Chile o negócio já muda de figura, um prédio organizado, com guichês e vários atendentes. Eles revistam o carro portanto lembre-se, é proibido entrar com frutas, verduras e diversos outros itens no país, se informe antes de ir.

Ao cruzar a fronteira, perguntamos aos guardas chilenos se havia alguma parte da estrada interditada no parque, pois a moça da pousada havia nos avisado para entrar no parque pela entrada Laguna Amarga visto que a estrada para a entrada por Rio Serrano estava interditada. Os guardas nos disseram que não havia interdição e que quando algo acontecia eles arrumavam em poucos dias pois era um local muito turístico. Resolvemos acreditar e pegar a estrada que supostamente estaria interditada. Entramos nela e nenhuma placa de interdição, ótimo! Seguimos 35 quilômetros pela Y-200 e quando chegamos no T que leva à Y-290, onde dobraríamos à direita, uma placa falando da interdição a 10 quilômetros. Pensamos que não seria possível, que apenas tinham esquecido de tirar aquela placa, pois era a única, e na entrada da Y-200 nada se falava de interdição. Além disso os oficiais da alfândega nos garantiram que dava para ir por ali (devem estar rindo até hoje…), e já tínhamos rodado tanto, íamos tentar. Rodamos 10 quilômetros e nada de interdição, cantamos vitória! Porém quando chegamos em 17 quilômetros e chegamos na entrada do Patagônia Camp, a estrada fechou. Deixaram aquele trecho somente para acessar o maldito hotel!! Resumo, andamos 50 quilômetros em estrada de chão e tivemos que voltar.

Mais 50 quilômetros de retorno, pegamos a rota 9 como havia nos indicado o pessoal do hotel. Ainda nos perdemos mais um pouco, pois seguimos a rota 9 e deixamos passar a entrada para a Y-150, então foram mais alguns quilômetros a mais. Se fizeres tudo certinho, o trecho entre a fronteira e a Hosteria Lago Tyndall tem cerca de 100 quilômetros pois atravessa todo o parque, e demora quase duas horas segundo o google, pois boa parte dele é em estrada de chão. Nosso atalho nos faria economizar apenas trinta quilômetros, mas no mapa parecia muito mais, e essa falha nos custou um bom tempo de estrada. Esse tempo de estrada a mais foi tenso pois nos fez pegar a estrada à noite. Se durante o dia vimos um lebre, à noite havia 300 delas atravessando a estrada toda hora, e elas tonteavam com a luz e ficavam mais perdidas ainda, o que tornou o trajeto bem mais demorado em função de ser necessário andar devagar para não atropelar os animais. Então se programe para pegar a estrada de dia e evitar isso, dirigir à noite em Torres del Paine é bem chatinho.

Entramos no parque pela Guarderia Laguna Amarga e seguimos mais . Chegamos no hotel já passavam das 23:00. Por sorte nos aguardaram, pois o checkin encerrava às 23 horas.

Falamos sobre a nossa situação, sem comida, sem gasolina, sem nada pro café da manhã e a moça da pousada nos conseguiu alguma coisa para comer e prometeu alguns itens para o café da manhã.

Fomos para a cama, completamente exaustos depois de um zilhão de horas nos perdendo pelo Chile.

 

    • Camila Alves says:

      Olá Denise!

      Sim, avisei por email na locadora e eles providenciaram um documento que permitia cruzar a fronteira.

      Qualquer outra dúvida estamos à disposição!
      🙂

      • Camila Dittmar says:

        Olá Camila,
        Vou fazer esta mesma viagem em outubro, porém em sentido contrário. Saindo de punta arenas, passarei por puerto natales e daí vamos para el calafate. Quanto você pagou para conseguir esta documentação com a locadora?

        • Camila Alves says:

          Olá!
          Que eu me lembre eles não coraram nada a mais pela documentação não.

          Aproveite, é uma viagem linda!!

  1. Luciano says:

    Olá Denise.

    vocês conseguiram abastecer o carro na argentina ou chiele? Em torres del paine tem posto de combustivel?

    Grato
    Luciano

    • Camila Alves says:

      Olá Luciano.
      Que eu saiba não tem posto de combustível no Parque. Algumas pousadas até vendem em emergências, mas é pouco e bem mais caro.
      O ideal é se planejar e ir de tanque cheio.
      Contamos com o Posto de Tapi Aike e ele estava fechado na ida. Compramos combustível de um cara.
      Mas na volta Tapi Aike estava fechado também, então foi preciso ir um posto em Esperanza, que fica no encontro da Ruto 5 com a Ruta 7, ele ficava aberto até tarde da noite. Isso também evitou o trecho de rípio à noite.
      Dá uma olhada aqui: http://viajantelifestyle.com.br/torres-del-paine/

      Se precisares de mais alguma informação, só chamar!

      Camila

  2. Tatiane says:

    Por favor, poderia me informar quanto a Nunatak cobrou de pré-garantia? Tô achando essa caução muita cara por aí. Se puder dizer quanto na verdade custou o aluguel, agradeceria.

    • Camila Alves says:

      Olá Tatiane!
      Não pus no post pois não tenho certeza. Mas se não me engano foram uns 200 reais a diária de um carro simples.

      Já a caução eu não me recordo mesmo. Mas caução sempre é cara…
      Quanto eles te passaram?

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