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Aaaah, a China. Nunca um lugar me tirou tantas noites de sono durante um planejamento.

Confesso que, no final, eu estava exagerando nas dificuldades, mas algumas informações podem ser úteis para quem está planejando uma viagem para lá.

muralha da china pequim

Abra sua mente – tu és o visitante aqui

Conforme-se: país diferente, valores diferentes, cultura diferente e costumes diferentes. Não adianta bater o pé, achar ruim e reclamar. Se tu estás disposto a ir até a China e conhecer este belo país, lembre-se que tu és o visitante aqui, e está de passagem, acostume-se e aceite o que é diferente. E se conforme: ninguém se importa se tu gostas ou não que cuspam no chão, ou se tu achas desrespeitoso tal coisa. Aqui não é a tua cultura que vai prevalecer.

Cospem no chão? Cospem. Não fecham as portas no banheiro? Não, muitas vezes não fecham (falo das portas das cabines, dentro do banheiro feminino, por exemplo). Tem muita gente? Tem, o tempo todo, em todos os lugares. Tem poluição? Sim, muita, e às vezes isso acaba com o dia. As crianças não usam fraldas? Não, não usam, as roupinhas tem aberturas nas bundinhas.

roupa criança china

Eu tinha uma impressão péssima dos chineses, confesso. Acho que foi em função de um grupo de quarenta chineses entrando na fila na nossa frente em alguma viagem, e eu estava achando que íamos nos estressar com isso. Ficamos surpresos de um jeito bom. As coisas funcionaram infinitamente melhor do que esperávamos, os horários eram cumpridos, os meios de transporte eram limpos e bem conservados, as filas fluiram direitinho.

Foi tudo muito melhor do que esperávamos.

 

Roteiro – são muitas opções, é preciso fazer escolhas

Quando pensamos em China, geralmente vêm à mente o trio Pequim + Xangai + Hong Kong. Porém como o país é gigante, já dá para desconfiar que há mais, muito mais do que isso. Ao pesquisar mais a fundo tu vais perceber que essas três cidades representam o mínimo do que a China tem a oferecer, então provavelmente tu vais precisar fazer duras escolhas. Sou acelerada, mas sabia que caso não acalmasse um pouco, passaria mais tempo me deslocando entre as cidades, do que conhecendo os lugares.

Para escolher o nosso roteiro, decidimos inicialmente quais pontos turísticos sonhávamos em ir. Eu queria ver os campos de arroz e fazer a trilha da morte, o Leandro queria ver os Guerreiros de Terracota. Mas quando pesquisei encontrei uma quantidade imensa de lugares incríveis e o divisor de águas do planejamento foi nos darmos conta que estaríamos lá em pleno inverno, e só com isso já cortamos alguns destinos, como Guilin e Jiuzhaigou. São lugares com parques, rios e belezas naturais que na nossa opinião seriam muito melhor aproveitados no verão, então decidimos não ir. Assim acrescentamos lugares que, mesmo com o frio achávamos que seriam bons.

huashan china

E mesmo com essa noção, erramos com alguns. Alguns lugares em que fomos parte das atrações estavam fechadas, e se soubéssemos poderíamos ter colocado estas cidades no início do roteiro, antes do fechamento de inverno. Enfim, vivendo e aprendendo.

 

Internet – baixe um VPN antes de ir

Os serviços do google são todos bloqueados na China, mas é fácil passar por isso com um VPN. Porém ao chegar lá, muitos sites de VPN’s já não funcionam, então o ideal é já baixar os aplicativos antes de ir.

Fiquei sem conseguir usar por dias dias, sem entender o que estava acontecendo, e descobri que era o economizador de energia do celular. Ao ativar ele, o VPN parava de funcionar por algum motivo. Mas foi só desativar que tudo voltou a funcionar facilmente.

Utilizamos o Turbo VPN, que é grátis, e nos serviu perfeitamente.

 

Visto – cuidado com as pegadinhas

Brasileiros precisam de visto para entrar na China, mas já existem muitos guias para ajudar a fazer ele, então nem vou me prender nesse detalhe.

Porém é preciso prestar muita atenção ao fato de que algumas cidades, como Hong Kong e Macau, são consideradas territórios administrativos independentes. Então se vocês chega e sai por Pequim, mas vai até Hong Kong, é preciso um visto de duas entradas na China.

Enquanto visita Hong Kong, tome muito cuidado para não reservar um hotel que fique dentro do território chinês de verdade, ou será preciso passar pela imigração a cada vez que retornar para o hotel, e as filas são imensas.

Para Hong Kong e Macau, brasileiros não precisam visto.

 

Idioma – sempre tenha o nome dos locais em mandarim

É sim difícil se comunicar, e não é fácil encontrar gente que fale inglês na rua. E um problema sério é que não adianta falar o nome do local em inglês, pois em mandarim os nomes são completamente diferentes.

Sempre carregue o cartão do hotel com tudo em mandarim, pois na pior das hipóteses dá para entrar num táxi e entregar o cartão.

Outra coisa: tente aprender os números de 1 a 10 em mandarim, porque chegamos ao ponto de não conseguir comprar algo porque não entendíamos os números. E para ajudar, nem indicar com os dedos funcionava, pois de 6 a 10 eles indicam só com uma mão também, e não conseguíamos entender.

 

Distâncias – não se engane,  tudo é longe

Eu olhava o mapa e pensava “Poxa, olha que barbada ir de trem desta cidade para aquela!”, e quando colocava o trajeto as distâncias ultrapassavam fácil mil quilômetros e as viagens de trem durariam mais que um dia.

guerreiros de terracota china

Acabamos fazendo todos os trechos de avião, e foi uma boa escolha. Porém, considerando os deslocamentos de e para os aeroportos, em alguns trechos pode ser interessante utilizar os trens de alta velocidade.

 

Poluição – não a menospreze

Eu li sobre a poluição na China e sobre o quanto ela podia atrapalhar a viagem, mas eu não tinha ideia da grandeza disso. Além disso, eu vivo brincando que tenho sorte, que o tempo conspira a meu favor e sou muito otimista. Mas minha dica é: leve isso a sério. Planeje um dia a mais nos lugares, o que fazer caso o tempo esteja fechado, opções de atrações.

Chegamos em Pequim à noite e não era possível enxergar o prédio do outro lado da rua. Demos sorte nos dois dias seguintes, quando fomos para a Muralha, e visitamos a Cidade Proibida. Já no último dia, a poluição voltou com tudo e o cenário mudou completamente. Se eu tivesse levado isso mais a sério, teria planejado pelo menos um dia a mais lá.

poluição china

Em Zhangjiajie, por exemplo, planejamos dois dias e os dois estavam ocupados. Durante um deles, a poluição estava terrível e não pudemos seguir nossos planos. Resultado: como não tínhamos nenhum dia sobrando, ficamos sem ir no Zhangjiajie National Park (aquele que inspirou as montanhas do Avatar).

 

Higiene – papel Higiênico + alcool gel + lenços umedecidos

Carregamos estes itens o tempo inteiro e eles foram muito necessários. Muitas vezes não tinha banheiros dentro dos restaurantes para lavar as mãos, então os lençinhos foram essenciais. E até mesmo pela poluição, às vezes precisávamos passar um lenço no rosto.

Outa coisa, não sei o que acontece, mas nenhum banheiro tinha papel higiênico na China. Há banheiros públicos por todos os lugares, mas eu não conseguia usar eles, pois o primeiro que tentei era simplesmente terrível. Então entrei em um restaurante com cara de caro, disse que eu não encontrava um banheiro e eles ofereceram o do restaurante para que eu usasse. Depois disso até o fim da viagem, eu sempre entrava nos restaurantes mais ajeitados e pedia essa gentileza, em nenhum deles meu pedido foi negado.

E o o álcool como desinfetante foi muito necessário. Era muita gente, lugares fechados, invernos, e tomamos todos os cuidados para não pegar uma virose.

 

Hospedagem – preços ótimos e boas acomodações

Ficamos em hotéis muito bons na China, e os preços eram excelentes. Sempre atentamos para a localização, então ficamos centralizados em todas as cidades, e isso facilidava principalmente nos passeios à noite.

Durante o dia sempre era preciso pegar metrô, pois as cidades são enormes e as distâncias, longas. Mas à noite gostamos de caminhar pelas feirinhas, então escolhíamos a localização em função disso.

 

Transporte – trem, metrô e ônibus

Uma coisa que me deixou surpresa: as cidades que na minha cabeça eram pequena, era na verdade enormes. Em todas as cidades utilizamos o metrô, e foi super fácil.

Em alguns deslocamentos, como para ir para a Muralha, ou para os Guerreiros de Terracota, utilizamos ônibus.

Para bate e voltas, como Huashan e Suzhou, usamos trem. Compramos os tíquetes na hora e não tivemos dificuldades. Mas atente para as épocas de alta temporada e principalmente para o ano novo chinês, pois dizem que os bilhetes de trem esgotam mesmo.

 

Alimentação – foi um pouco penoso

Tu podes encontrar de tudo em forma desidratada. Peixes, camarões, patos, frango assado, tudinho desidratado e embalado à vácuo nos supermercados.

Mas acho que foi o lugar onde foi mais difícil para nós a alimentação. Tentamos muitos restaurantes, na maioria ninguém falava inglês, e escolhíamos por sorte ou por fotos.

Não que eu tenha achado a comida em si ruim, mas sentimos falta da fartura e principalmente do tipo de comida que estamos acostumados. Depois de uma semana eu estava louca por algo simples, um sanduíche, com presunto e queijo e nem nas padarias eu encontrava. A solução foi ir a um supermercado, e mesmo em um mega mercado e só havia uma opção de queijo fatiado e era super cara, e por isso devia ser tão difícil encontrar nos lugares.

comida chinesa

Então tomamos por padrão escolher na sorte e sempre pedir dumplings junto. Como era algo que gostávamos, se os outros pratos não agradassem, sempre tínhamos algo garantido.

E, segundo as informações que colhemos, não, tu não vais comer carne de cachorro por engano. Conhecemos chineses en algumas cidades e eles adoram treinar o inglês, então conversamos bastante. Segundo eles, não é algo simples de encontrar. Somente em restaurantes especializados, pelo que entendemos, é um prato específico, como se fosse uma carne de caça aqui. Cada um acredita no que quer, e nós preferimos acreditar nisso.

Aproveite – e relaxe

Agora vou contar sobre três brasileiros que conhecemos em Xi’an. Falávamos sobre os lugares que já havíamos ido e contamos sobre Huashan. Eles ficaram curiosos e mostramos as fotos, e os três piraram, porém iam embora no dia seguinte e não teriam tempo para ir. Ficaram super chateados  por “perder” um lugar tão legal e vi que estragamos o dia deles. Mas nós mesmos deixamos de ir à muitos lugares que gostaríamos de ter ido.

A China é gigante, e mesmo com bastante tempo é difícil conhecer todas as coisas legais e lugares incríveis espalhados pelo país. Então aproveite o tempo que tu tens, curta os lugares que conhecer e evite sofrer por aqueles lugares que não poderão ser visitados.

Além disso, é sempre bom ter uma desculpa para voltar!

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